Os Jornais na Ditadura
“Nos anos que precederam a deposição da Monarquia em 1910, a imprensa desempenhou um papel fulcral como arma revolucionária dos partidários da República. Com o advento da I República a censura da imprensa acabou e surgiram inúmeras novas publicações, nomeadamente o jornal República (1911) e o Diário de Lisboa (1921). A extrema dificuldade de lançar novas publicações durante o regime salazarista foi já assinalada; dessas poucas, haverá a destacar o Diário Popular (1942), A Capital (1968 ) e um influente semanário, o Expresso (1973), este surgido nas vésperas do golpe militar de 1974. É claro que outros meios de comunicação social fizeram também a sua aparição: o cinema (no final do século XIX), a rádio (a primeira emissão foi para o ar em 1914) e a televisão (em 1957).
O olhar sempre vigilante de Salazar, os meios de comunicação haviam esrado espartilhados por inúmeras medidas repressivas. As suas audiências haviam sido encolhidas pelos magros limites do crescimento económico e pela intenção, aparentemente consciente de Salazar, de manter vastos segmentos da populaça sem opinião. O princípio salazarista de que “educar os pobres acarretava perigos para uma sociedade bem ordenada” e de que “a cultura campesina ficaria melhor preservada se lhe não fossem infundidas novas ideias” ajudou a produzir um índice de analfabetismo de 37%, o mais elevado da Europa ocidental.”
in O Quarto Poder Frustrado, Nelson Traquina e Warren Agee